Mais um ano do Festival da Eurovisão da Canção parece ter terminado, pelo menos em termos de espectáculo televisivo, mas muito mais sobra para ser explorado. Muitos Eurovisioners de diferentes países estarão ainda a chorar pelos resultados dos mesmos, outros impressionadíssimos com o que alcançaram... O entretenimento das próximas semanas passará por rever as performances, os pormenores que escaparam, as falhas que existiram, o quase “incêndio” em palco na atuação de Nina Sublatti, os planos que falharam e os que efetivamente foram conseguidos! E, depois, discutir minuciosamente a votação que este ano se revelou surpreendente em diversos aspetos.

Building Bridges era o mote para este ano de 2015 e em termos de logística parece ter sido conseguido. O convite endereçado à Austrália revelou-se inteligente e um ponto forte em toda a emissão do espectáculo. Porém, fica a ideia que se construíram pontes até à Austrália mas urge a construção de algumas na Europa!

O método de votação Júri + Televoto (50-50%) parece estar mais polémico do que nunca, porém, não pode ser esquecido o propósito pelo qual o mesmo foi aplicado. Se, por um lado, concordo com este método, que permite que um país seja menos previsível nos seus votos, por outro creio que ainda não é suficiente para garantir justiça a todos os países e a todas as canções.

Surge neste propósito um “E se…?” – E se Building Bridges fosse também aplicado no método de votação? O que aconteceria se cada país tivesse de votar em todos os outros quer estes estivessem em primeiro lugar no seu Top (Juri + Televoto) ou em último? Mudaria isto expressivamente os resultados? Seria negativo para a Eurovisão?

De forma a averiguar estes parâmetros e de dar resposta às questões, fiz a experiência de um outro método de votação: Todos votam em todos, o que obriga países em conflito a despirem-se de “orgulho” e a darem pelo menos 1 ponto ao seu último classificado.

Como Funciona?

1) Todos os países finalistas e não finalistas votam;
2) A votação Juri + Televoto (50-50%) continua a existir;
3) Após a soma dos resultados do júri e do televoto e da obtenção do TOP final - este ano TOP 26 ou 27 - proceder-se-á da seguinte forma:

a. O primeiro classificado terá a pontuação de 26 pontos.
b. O segundo classificado obterá 25 pontos.
c. O terceiro classificado obterá 24 pontos, e assim sucessivamente até ao...
d. O 26º classificado obterá 1 ponto.
e. Em caso de país não finalista, este terá um top 27, sendo que o número 27 terá também 1 ponto. Desta forma não se favorecem países na votação, nem se dá pontuação nula.

4) Somam-se tal como habitual as votações de todos os países, resultando daí um top final de onde sai um vencedor.
5) Nenhum país termina com menos pontos do que o resultante da expressão: Número de países participantes – Desta forma um equilíbrio entre o público e o júri é dado não sendo em vão qualquer chamada realizada pelo telespectador.



Quais seriam os resultados da final de 2015 se este processo fosse instaurado?

953
#1
Suécia
899
#2
Rússia
896
#3
Itália
833
#4
Bélgica
792
#5
Austrália
782
#6
Letónia
679
#7
Estónia
673
#8
Israel
622
#9
Noruega
536
#10
Geórgia
519
#11
Espanha
491
#12
Sérvia
466
#13
Eslovénia
461
#14
Roménia
421
#15
Chipre
402
#16
Lituânia
381
#17
Azerbaijão
377
#18
Montenegro
371
#19
Alemanha
359
#20
Hungria
349
#21
Polónia
340
#22
Grécia
310
#23
Albânia
308
#24
Áustria
295
#25
Arménia
259
#26
França
256
#27
Reino Unido

Observa-se então que este método de votação não prejudicaria os lugares cimeiros, mas definiria com mais qualidade as posições 15-27.

Em comparação com os resultados obtidos este ano, verifica-se que quem mais beneficiaria este ano se este fosse o método instaurado seria Espanha que subiria de 21 para 11º lugar, relativamente perto da Geórgia. Os últimos classificados não seriam Áustria e Alemanha, mas sim França e Reino Unido. Arménia ficaria pelo 25º lugar na final. A Alemanha beneficiaria de uma entrada para o TOP 20.

Até que ponto seria vantajoso este método? Quais as principais limitações? Building Bridges a todos os países e dar possibilidade de classificações médias serem também valorizadas poderia trazer mais credibilidade nos resultados.

Há ainda muito a explorar no que compete a um método ideal e de entender até que ponto se beneficiariam ou prejudicariam países.

Por: André Moreira


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Fonte: ARTIGO DE OPINIÃO DE ANDRÉ MOREIRA /  Imagem: EUROVISION



25 comentário(s):

  1. Mas, se esse método fosse aplicado nas semi-finais, não significaria que outros países estariam na final em detrimento dos selecionados no atual sistema de pontuação?

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    1. Boa noite Cláudio Poiares. Desde já obrigado por teres lidos este pequeno artigo de opinião.
      Não sei se entendi a tua questão, porém irei responder àquilo que penso ter percepcionado. Questionas-me se este "projeto" foi realizado apenas na final ou também nas semi-finais, certo?

      Bem, como foi algo que apenas quis testar, testei apenas nos finalistas deste ano, ou seja, os finalistas do método de votação atual da Eurovisão e não com o que sugeri neste projeto.

      Seria porém interessante averiguar até que ponto este sistema cambiaria os países finalistas.

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    2. No entanto acho que a final deveria ser 100% televoto. Porque? Porque acho que as chamadas "panelinhas entre paises nordicos e de leste só se dão se houver juri metido. O juri nunca é imparcial, ao passo que os fãs da eurovisão, ou seja, todos nós, somos completamente alheios à situação geográfica dos paises. Se não gostamos da musica de espanha por exemplo não vamos ligar para votar nela só por sermos vizinhos.... Com o juri não é bem assim.....

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    3. Anónimo das 17.25! Eu tenho que te recordar que quem vota em grande numero no televoto nao es tu nem os fãs ... é o publico em casa que, ao contrário de ti - que ouves as musicas todos os dias criando espetativas constantemente e convicções quase parecidas com as do Hitler - ouve apenas nessa semana (semi e final) e fica com uma perceção bem diferente ou quase parecida depende das canções ... e conclusão: se apagaste da memoria os anos de 2004-2009 sensivelmente não podes jamais negar como o televoto ainda é continuara sempre a permitir que um cidadão sérvio vote num montenegrino, esloveno, croata, macedónico, etc e um cidadão russo no Azerbaijão e Bielorrússia etc. Pode até parecer justo e lógico mas confina estas pessoas a uma zona limitada de conforto que não permite "estabelecer pontes" ... e de certa maneira o júri veio mudar essa vertente obrigando quase um cidadão bósnio a prestar atenção a uma canção belga ou espanhola ou seja a td o que esta culturalmente e geograficamente afastado .. e parece-me bem que assim seja ... só ganhamos com isso como pessoas. Mas claro o egocentrismo patriótico é algo que nem nos portugueses conseguimos apagar da nossa cabecinha ... criticamos as votações geopolíticas e no entanto reclamamos qd Espanha não nos vota ... hipocrisia ....
      Talvez devias ser sincero e afirmar que:
      a) quero televoto porque gasto o meu dinheiro a votar e exijo que respeitem a minha vontade (espero que ninguém te tenha colocado uma pistola a cabeça para votar!!!)
      b) quero que a Suécia morra porque estou farto que o festival esteja no norte da Europa (e nós da Europa do sul temos uma relação deliciooooooosamente amorosa com o norte europeu por outras razões) e que o festival venha par ao sul para o calor para a praia, etc ... para o mundo onde ainda se vive uma certa crise económica mas tb de compreensão de certas coisas essenciais na vida como por exemplo. regras são regras e qd as aceitas respeita-as caso contrário não jogues o jogo porque ninguém te obrigou! Não nos compete mudar o que não é da nossa responsabilidade. Reclamar .. reclamamos demasiado ...que sejam quem está a frente destas coisas que reflita sobre isso. De resto, é um jogo e tu só jogas porque queres e nada mais ... reflete mais sobre isso e pode ser que 1 dia percebas a figurinha que os comentários que tu e outras pessoas ainda mto escaldadas das votações finais, fazem desnecessariamente ..qd a vida tem coisas mais preocupante para lidar.
      :)

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  2. Penso para já que seria um método de classificação a ponderar, porém aberto a discussão. Desde já se poderia concluir que deste modo, o factor tempo seria um ponto forte a ter em conta, ou seja, (questão óbvia) quanto tempo de emissão seria então necessário para que 40 países apresentassem a sua ordem de classificações?

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    1. Boa noite, desde já obrigado por ler este pequeno artigo de opinião.
      Confesso que é um dos grandes contras deste método, porém penso que pode ser facilmente resolvido. Assim como no ecran de um televisor aparecem as votações de 1 a 7, poderiam aparecer pontuações de 1 a 20 ou a 25.

      A forma como os votos seriam anunciados teria de ser pensada, isso sem qualquer sombra de dúvida.

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  3. Um pouco confuso...quando é que seriam dadas as pontuações de 1 a 27?

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    1. Boa noite. Obrigado por ter lido este pequeno artigo.
      Este ano a final teve um Big 7 (Áustria, Austrália, Alemanha, França, Espanha, Itália e Reino Unido) + 20 países da semi final o que totalizam 27 países.
      Um país que não está na final tem um TOP 27 (isto porque não se inclui nas votações).

      Por outro lado um país que participe na final só tem um TOP 26, isto é, o seu número 1 só terá 26 pontos em detrimento dos 27 que um país fora da final atribuiria.

      Deste modo, para ajustar e não beneficiar países, o 1º lugar terá sempre 26 pontos, o 2º - 25 pontos e por aí fora até ao 26º com 1 ponto. A diferença entre quem tem TOP 26 e TOP 27 é que nos segundos existe uma 27ª posição que segundo este esquema acabaria com 0 pontos.

      De forma a todos os países terem de dar pontos a todos os outros e de forma a não desfavorecer os restantes, o 27º lugar (quando existente) tem 1 ponto também. ;)

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  4. Achei ridículo, infundado e uma javardice. Se perdessem o tempo a estudar ... enfim! Gente sem escrúpulos que de tudo fazem para favorecer os seus favoritos. VERGONHOSO!

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    1. Estás bem?? Toma um cházinho que isso passa! (c)

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    2. Boa noite Soraia. Obrigado por ter lido esta publicação. Não quis de longe favorecer ou desfavorecer países, passando este método pela imprevisibilidade de resultados. Mesmo aquando da sua realização não fazia ideia de quem sofreria mais com as alterações.

      Penso que interpretou erradamente o propósito desta publicação.

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    3. Isto é um perfeito disparate e absolutamente impraticável. 27 pontos? LOLOLOL. Para começar, caso se aplicasse, teria de haver distanciamento de 2 pontos do 1º para o segundo lugar e do 2º para o terceiro (24-26-28).
      Isso não alteraria em nada o vencedor e faria com houvesse mais países a agir como a RTP: não se esforçar por ficar entre os melhores, pois os 26 pontos estariam sempre garantidos... e as canções medíocres iriam multiplicar-se. Serviria apenas para dar pontos aos países que, como nós, enviam músicas miseráveis.
      Dependendo do número de participantes, a pontuação máxima iria variar todos os anos...
      Penso que iria faltar espaço no ecrã. LOLOLOL. Ainda que os organizadores não dão ouvidos a este passatempo...

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  5. Parabéns sr. Andre, excelente artigo, excelente trabalho, gostei sim senhor. Good work ;)

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    1. Obrigado por ter lido este artigo e pelo comentário positivo :)

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  6. Deveras, interessante. Estudou a hipótese de, por exemplo, a pontuação máxima a atribuir a todos seria de 27, porem com a diferença de que um finalista atribuíria ao ult 2 pontos e um não finalista 1 ponto. Não sei, e uma hipótese.
    De qualquer das formas, seria um método reboscado. Imagine-se que algum televoto, ainda que difícil, nao atribuisse qualquer ponto a algum pais? Ou seja, ninguém se lembrava de telefonar para o mesmo?? Seriam contabilizados apenas os votos dos jurados! Fica a questão, e os meus Parabéns!

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    1. Boa noite Azevedo. Muito obrigado por ter lido este pequeno artigo e por ter colocado essas novas hipóteses.

      De forma a criar uma equidade entre participantes na final e não participantes na final não se poderia acrescer esse ponto a menos que o próprio país tivesse um ponto dado a si mesmo, o que não faz muito sentido.

      Poderia sem dúvida ser uma hipótese a testar, mas penso que dar 1 ponto ao último e penúltimo lugar seriam uma boa maneira de criar um equilíbrio.

      Ainda hoje corremos o risco, ainda que difícil, que algum televoto não atribua um voto sequer a um país. Se tal acontecer só o Júri pode oferecer as pontuações. Raros são os casos. Penso que San Marino é mesmo o único país que nunca conseguiu ter votos suficientes para fazer média com o Júri, aliás, nem sei se as linhas chegam a abrir sequer. ;)

      Penso que o risco que hoje se corre seria igual ao risco que este novo estilo de voto traria. Mas agradeço o reparo! :)

      Obrigado pela apreciação!

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  7. Muito interessante. Gostei muito desta curiosidade. Fiquei mais curiosa foi por saber quem ficou mais vezes em último lugar de acordo com esta técnica de votação e já agora quem posicionou o país como último.

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    1. Reino Unido teve um total de 6 pontuações de 1 ponto (último ou penúltimo para países que não estão na final).
      França teve um total de 5 últimos lugares.
      A Áustria teve um total de 5 últimos lugares.
      A Arménia ficou 13 vezes em último ou penúltimo recebendo 1 ponto de 13 países, seguindo este método.
      A Albânia ficou em último em 8 países.

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  8. Eu concordo(já tinha pensado nas coisas mais ou menos desta maneira mas como ñ sou nenhum crânio há pormenores a ter em conta que me escapam e que algumas pessoas já mencionaram aí em cima :p ) Seria mais justo de certeza toda a gente ter pontuação.(Agora um país que fica em 10º com 53 pontos é assustador fora os outros).

    Mas a EBU devia pensar nisso ehehe alguém que escreva para lá :)

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  9. Acho excelente...mas como fazer chegar este método ao ESC ainda antes do próximo concurso? É necessário fazer chegar isto mas aos media e organização ESC estrangeiros.

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    1. Este método foi um pequenino teste que envolve a questão da "média" e do "desvio padrão" e que vem dar algumas vantagens para casos em que por exemplo o televoto dita o 1º lugar mas o júri achou a música tão má que faz com que esta em média fique em 11º e não receba pontos. Este esquema de voto quebraria com essas injustiças e ficaria sempre a ideia de que o nosso voto valeu a pena.

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  10. No entanto acho que a final deveria ser 100% televoto. Porque? Porque acho que as chamadas "panelinhas entre paises nordicos e de leste só se dão se houver juri metido. O juri nunca é imparcial, ao passo que os fãs da eurovisão, ou seja, todos nós, somos completamente alheios à situação geográfica dos paises. Se não gostamos da musica de espanha por exemplo não vamos ligar para votar nela só por sermos vizinhos.... Com o juri não é bem assim.....

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    1. É certo que há juris que não sabem descartar o facto do país vizinho ser efetivamente o país vizinho. Porém acho que não podemos julgar o todo pela parte. O caso Português tem vindo a provar há dois anos consecutivos, que a implementação do juri foi vantajosa para deixarmos de ser previsíveis.

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  11. E que tal um artigo que reflita sobre a necessidade de repensar a qualidade das canções que vão a palco mas que não cativam nem juris nem televotantes? Talvez isso terá mais impacto do que estarmos todos os anos (especialmente nos anos em que o televoto perde contra o juri) a reclamar do mesmo e do que não nos compete mudar. Só votamos porque queremos ... e a partir dai ... ou aceitamos os resultados e consequência ou vamos passa r avida traumatizado com algo com insignificante ...
    Seguramente paises como a Bélgica ou Letónia não teriam todo o excelente resultado que tiveram senão tivessem refletido musicalmente em vez de pensar no sistema de votação. Preocupem-se em ouvir boa musicar e a saber apreciar boa musica que nao seja apenas pimbalhadas douradas a la Israel ou a mera continuação do reportório dos Il Divo mas mudando os cantores e substituindo Divo por Volo ... vá lá mais esforço nessa parte, porque se a Suécia plagia Guettas, olhem também e mais atentamente para outras canções que imitam tantas outras coisas ...

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